sexta-feira, 25 de maio de 2012

O professor, a caminho da escola...

Ao professor, nosso afeto, nosso carinho...
Esse que pega metrô às cinco da matina...
Correnteza vence e no mangue patina...
Implode as pedras, no meio do caminho...

Pelos sertões poeirentos, lá vai andarilho...
Vai de ônibus velho, apertada sardinha...
Sobe o Morro do Alemão, desce o da Rocinha...
Ao tranco da bicicleta, ao balanço do trilho...

...assim chega nosso herói (nossa ternura!)
Sua sala singela, seu instrumento precário...
"inda ensina co' amor, doce figura...

Nosso carinho à mestra Ana, ao mestre Dário...
Aplainam as sendas para a geração futura...
São amigos fiéis no nosso itinerário...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Seja feliz, professor...

Amigo professor, minh'alma querida...
Tua abnegação melhora o nosso mundo...
Do deserto triste, fazes solo fecundo...
Ânimo trazes, à mais enfadonha vida...

Mas sol não vê tua tez empalidecida...
Não se vê ânimo do teu semblante oriundo...
O brilho ofuscado do teu olho fundo
revela um cansaço de quem jovem 'inda...

Ó anjo bom, dedicai sim à missão mais linda...
de facilitar sementes em árvores frondosas...
Mas aproveitai a brisa, da noite vinda...

Tens todo direito sob às peras gostosas...
E ao esporte, e ao cinema, e à tristeza finda...
Festejai a vida, com as amizades fogosas...

Intervalo na sala dos professores

Hora do recreio, hora de comilança, gritaria...
Bom p'ra ganhar um extra e fazer um bico...
Vai o professor vender batom, e até fuxico...
A professora vai vender camisa, bijuteria...

O mercado bomba, e no fiado se fia...
Garante seus trocados, o professor Chico...
que trabalhar na educação é pagar mico...
Quem não se vira nos 30, ao SPC se filia...

O professor... que profissional versátil!
Vende, compra, ensina, barganha...
Tentando inchar seu salário contrátil...

Educação: coisa importante e estranha...
Tratada como coisa pequena, radinho portátil...
E o professor, nessa angústia tamanha..

observação: o fuxico a que me refiro é o artesanato, ok?

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pela Educação!

É preciso virar o jogo, virar a mesa,
a página, o enredo, a trama, a história...
Devolver à escola seu brio, sua glória...
Restituir à educação sua grandeza...

Senhor Ministro, queira, por gentileza,
deletar a ideia da educação ser escória...
Aplicar dez por cento do PIB será jóia
para retirar da merenda a calabreza...

Trazer a escola ao século novo, é necessário...
Promover, com todo carinho, os docentes...
E pagar ao deputado o mesmo salário...

E o velho quadro negro, e a sala quente,
trocar por castelo lindo e bem contrário...
Cuidar da educação, assim simplesmente...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Violência na escola

Bons tempos em que as escolas eram
sacros templos de respeito, sabedoria...
Atracam-se os alunos, hoje em dia,
com armas que os próprios pais lhes deram...

Os limites, as famílias não impuseram...
E recaem, sob a escola, à revelia...
Formar caráter, não seria serventia
dos que apenas inserção propuseram...

As gerações, na hombridade, não se superam...
Nenhuma tataravó nesse fiasco creria...
Os homens primitivos mais dóceis eram...

"Amanhã vai piar a cotovia"
No facebook os estudantes disseram...
E o professor, acuado, na sorte se fia...

sábado, 19 de maio de 2012

Valorizar o professor...A campanha continua

Criaturas extraordinárias, os professores
- quase todos, e muitos, e queridos...
Marcam nossas vidas, doces sorrisos...
Ensina-nos perseverança, esses amores...

Seres oprimidos que oferecem flores...
Anjos alegres de bolsos falidos...
Almas cansadas, mas bons fluídos...
Sôfregos espíritos a ocultar suas dores...

É por amor que se decide professor...
Abraçar a educação, é por amor...
Por amor se casa com o professor...

O branco da paz, se professor fosse cor...
Explosão solar, se medissem seu calor...
A menina dos olhos, se eu fosse governador...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Fazendo as contas de um professor

Analisemos as contas de um professor
-seu salário de mil, de dois, três mil reais,
tanto faz, que essa grana não satisfaz
as necessidades de um trabalhador...

Ele vai subtraindo desse salário-terror
-aluguel/financiamento, luz, água, gás,
tv a cabo não. Paga o armazém do Tomás
e o cartão e o carnê, do mês anterior

Ironia da vida...quem ensinou o doutor,
se envergonha do seu saldo bancário...
E não viaja de avião pra Salvador...

É o professor e seu vexatório honorário...
Cruze os braços então, querido educador,
só na greve conseguirás o teu implante dentário...

Ao mestre, com carinho...

O professor, este ser humano,
muito humano...

Um mestre, um aprendiz...

Mais que um transmissor, um transformador...

Mais que informador,
um formador, um formatador de sonhos...

Abre caminhos
onde só existiam muros...

Norteia trajetórias
onde os destinos vagavam obscuros...

Um amigo
que vai partir, mas vai marcar...

Que vai seguir
mas vai estar...

Um companheiro revestido de fé imortal,
que não nos deixa de mãos vazias...


Companheiro que não nos deixa,
nem no início, nem no final...

Esse amigo que professa...
progresso    paz    esperança   
temperança

O professor, conhecedor das coisas da razão,
mas principalmente e tão profundamente,
sabedor das coisas que habitam o coração...

Campanha de valorização do professor

São empréstimos agressivos e essenciais...
Ao final do mês, são moedas contadas...
Ao final da vida, são moedas poupadas...
Sempre adiados, os seus projetos pessoais...



Suas contas na corda bamba, e as cordas vocais...
Seu milagre de amor, em escolas desamadas...
Seu delírio de esperança, em famílias alquebradas...
Seu  piso  injustiçado,   de   1.452   reais...


Singelos sonhos de consumo: dignidade,
uma casa, um carro, saúde privada...
O nome limpo...E gratidão da sociedade...


Sua missão honrosa, e tão mal barganhada...
Consignações lhe seguirão afora eternidade...
E vá chorando, professor...sua luz está cortada!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Educação em greve

Não dar valor...que erro mais grave!
Uma dívida secular com professores...
Condições e salários desmotivadores...
Um Brasil renegado... restou a greve!

O PIB não foi aplicado, isso se deve,
ao desprezo a quem forma os doutores...
Escolas de jardins de murchas flores...
Invisíveis projetos em tinta cor de neve...

Sem tecnologias, nossas salas lotadas...
d'onde sai a matemática não aprendida...
"Nóis veve" de esperanças abortadas...

Sem sutura, e aberta essa ferida...
A frustração : a coisa pública pilhada
A miséria : a coisa pública estorquida

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ao estudante

Estudai, estudantada, estudai!
Há um rolo compressor que esmaga
quem não se dá em sacrifício nessa saga...
Marcha a China, estudante, batalhai!

O mercado é um dragão(não cansai!)
Vá na raça garantir a sua paga...
Vai que a tarde caia e a noite traga
a conta da artrite (lutai, lutai!)

É preciso esperança, matéria viva...
Esperança com dia e hora marcada...
Madrugadora esperança rediviva...

Animai, dançai com garra a toada...
Perseverai no sonho 'té carne viva...
Crê no galardão de tu' entifada...

Soneto (sem rima) sobre a reclamação

É incrível que pessoas, que nem eu,
lamuriam, lamentam sem parar...
É a pasta de dente que não fecha...
É o botão da rosa que não abre...

O dia é muito claro, e a noite, sem luz...
A chuva encharca, e o sol, não molha...
Meu Deus, como gritam os papagaios!
O mundo veio com defeito de fabricação...

E não percebemos que a vida é rara,
e cara também, mas que privilégio...
estar aqui e saborear as goiabas...

Bem verdade, nem tudo são flores...
Mas o que não são flores, são folhas...
Vamos tocando o barco e agradecendo...

Pra melhorar o humor

Mau humor? Ninguém merece!
Serotonina nele, dá-lhe feijão!
Leve a vida tão a serio não...
Cantar, dançar, bye bye estresse!

Tomar sol, olhar lua, coração aquece...
"Super tiras", "Trovão Tropical": diversão...
Bicho e criança detonam a sensação...
de que tudo cansa, tudo envelhece...

Viajar, pular, nadar, beijar...
milagres da endorfina estimuladora
Amigos existem para nos escutar...

Um hobbie ameniza a feição sofredora...
Dormir bem, trabalhar...e pernas pro ar,
dando "xô" pra essa onda opressora...

domingo, 13 de maio de 2012

Quem dera...

Pudera se todos os dias
fossem dia das mãezinhas...
Daríamos as nossas mãezinhas,
consideração, todos os dias...

Beijaríamos, nas manhãzinhas,
nossas batalhadoras Marias...
Ao útero morninho das Marias,
seríamos gratos, nas manhãzinhas...

Dia das mães, dia sagrado...
Destilar amor à mãezinha de mel...
Nesse dia tem carinho dobrado

Minha consciência tem pesado,
por ter ligado pouco, docinho de mel...
Mas hoje tem carinho dobrado!

sábado, 12 de maio de 2012

Homenagem a mãe que entrega o filho à polícia


As vezes se lê nos jornais:
"mãe entrega filho a polícia"
Mulher de ética é milícia,
educa os filhos nos tribunais...


Encobrir crimes é estultícia
Não deletá-los, erros fatais...
Chafurda a sociedade em lamaçais 
por causa do excesso de carícia...


Carícia na cabeça de quem atropela
Beijo no cabelo de quem estupra
Abraço no corpo de quem escalpela


Quem superprotege, a si mesmo se usurpa...
Quem não faz justiça, é refém dela...
Da árvore doente, sai podre a fruta...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Soneto floral para mães

Mãe, flor da laranjeira delicada...
Não é rosa de Hiroshima belicosa...
É mulher da força da babosa...
Mãe da face da rosa rosada...

A flor da abóbora é apetitosa...
A menina da flor no cabelo, amada...
Mãe é sempre-viva e animada,
vitória-régia regendo poderosa...

Ó mãe, meu poema é tão pobre,
não traduz teu hálito de hortelã,
tua fragância singela e nobre...

Perfuma o cravo a manhã...
Jardins rescendem, e a mãe nos cobre
de fresco cheiro do rosto na maçã...

Verdadeiramente mãe...


Mãe,
estrela guia


 
Farol que vigia
na noite e no dia


Mãe, madona, manancial...


que quando luta, luta bravamente
que quando canta, canta alegremente
que quando sonha, sonha livremente


Mãe que esquece de si, mas de você já se lembrou
que só de alimenta se você já se alimentou
que só dorme se você já chegou
que te doa mais do que ela ganhou


Mãe que acha que tudo vai bem
quando tudo vai mal


Mãe que transfigura sombras em cores
num quadro belo e irreal


Mãe de coragem,
que fala o que precisa ser dito,
que faz o que tem de ser feito


Mãe da força infindável,
mãe do amor que torna a vida suportável...


Melzinho

Mãe terna
eternamente linda
Olinda!

Doce senhora
bochecha rosada
de amora

Se fosse poema
a vida dela:
da Adélia

Se quadro fosse
sua alma multi matiz:
Matisse

Sinfonia viva
-Vivaldi

Ninfa do céu
sorriso-sol
olhar-mel

Mulher cheirosa
manhã clara
fonte generosa

 Amor feito flor:
amor-perfeito!

Poema animal para mães

Eis o dia das mamãezinhas!
Mata-nos de saudades as ausentes...
Criva-nos de beijos as presentes...
São tão meigas as cabritinhas...

Pássaros que trabalham contentes
pondo comida nas boquinhas...
Doces trinos nas manhãzinhas
embora muito cedo e estridentes...

Moldura grande os pequeninos
Confere coragem aos fracotes
Vê beleza nos mais franzinos...

Mamam gostoso os filhotes
seivas que os fazem fortinhos...
Mães brilham sem holofotes!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dia das mães

Agradecer a mãe...

Que preparou, com amor, o teu mingau
Que sentiu perfume na tua fralda borrada
Que se cuidou pra ver sua empreitada
Que ela, doce, e o mundo, sal

Ser grato a mãe...

Que lhe deu de sua renda economizada
Que lhe deu a mão no lamaçal
Que lhe mostrou a beleza do trigal
Que o mundo bom, e ela, palmada

Eternamente grato a mãe...

Que, na formatura, mareja os olhos...
Que embala o mundo, avisa, pressente...
Que fecha feridas com seus óleos...

Ternamente grato a mãe...

Que proteje o filho (unha e dente)
Que enche de conselhos seus miolos...
Que sente, só ela, o que ela sente...

Incoerência

Da mesma boca que profere a bênção
e a maldição
Da mão direita que afaga, e a esquerda
se esquiva
Do navio que ostenta luxo, estando
a deriva
Do amor que gosta na saúde e na doença
não...


No passo que se apressa, ante o falido
irmão
Na cabeça inteligente, mas petulante
crista
No cérebro racional, mas de ornamento
crina
No olhar que se desvia, ante um Brasil,
um Gabão...


Incoerência mor, a maldade...
Retirar todo o peixe do mar...
Acrescentar raios à tempestade...


Para o rico, transtorno bipolar
Para o pobre, inescrupulosidade...
Tudo frieza de ártico polar

Apaixonada por sonetos

Peças perfeitamente encaixáveis:
sonetos mágicos, de fácil montagem...
Comportam a vaca, o vírus, a vagem...
Lúdicos signos, invólucros musicáveis...


Guardo as mágoas em vedada garagem
Melhor brincar com as rimas improváveis
Despertar sensações mais agradáveis
que a notícia da triste estiagem...


Plantas crescem se fluem suas seivas...
Reinventam-se os sonetos, e nos encantam...
como, de Araxá, doces das ameixas...


Colhem apenas os que plantam...
Pintou dúvida: gueixas ou madeixas?
Esquemas de sons que nos espantam!

domingo, 6 de maio de 2012

Espero resposta

Os esplêndidos alfajores,
se dissolvem ao céu da boca...
Meu blog, árvore oca,
entregue aos roedores...

Ausentes comentários de força...
Não me seguem os seguidores...
Dão-te meus dizeres, flores
Dá-me teu silêncio, forca

E ninguém ainda conta se deu:
o desprestígio vai me arrefecendo...
E a inspiração de mim escorreu

Será que a pena está valendo?
Meu poema tua piedade acolheu?
A poesia vem lhe surpreendendo?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Soneto clássico

Sonoro e simétrico soneto...
Sidéreas silhuetas sibilando...
Sinos sensações sussurrando...
Sublimes sombras, selados segredos...


E ascendem signos em seleto acervo...
Insignificantes sentenças soando...
Seculares símbolos ressoando...
Sublimando co' suave incenso...


Sofismam sufixos simulados...
Serafins sinfônicas silvam...
solenes sonhos dissimulados



Sigilosas siglas cintilam
cenários de sonhos soçobrados...
Serenadas sintaxes assobiam...

A um trabalhador

De Franca, o ilustre Ricardo. Cadeirante.
Pedreiro. Assentador de azulejos.
Brasileiro. Milhões de sonhos, desejos...
Sem lamúrias.  Gratidão constante. 

Sua cadeira precária. Avante!
A enfrentar a calçada: queijo
suíço esburacado. Eu vejo
o heroi. De impostos pagante.

O Ricardo e sua fortaleza...
me põe no chinelo. Eu, me preocupando
com a caloria de uma cereja... 

Arrimo de família, ele madrugando...
Com alegria aceita sua peleja...
Conduta que vem nos inspirando...

Antônimo de tempo

Contrário de tempo: antitempo
antimateria, o eterno ou morte?
Não passar pelo tempo, má sorte...
Sinônimo de tempo: vento?

Pudera controlar seu intento...
Correriam as eras... e o passo forte...
Tilintaria mais limpidamente a glote...
Para sempre do adeus isento...

Pega-nos à força e nos leva...
aonde não se quer chegar...
no éden da flor mais bela...

Vaga-lumes no breu a brincar...
A chuva vista da janela...
Antônimo de tempo é voar...

Negra cor

Cor parda, negra, mulata...
Cútis bela, linda tez...
Matiz de orgulho e altivez...
Brilha ao sol e lua de prata...

Pele preta, merece serenata...
Brasil genuíno, a bola da vez...
Enaltecer a raça, sem timidez...
Abolir a indiferença insensata...

Machado de Assis, Castro Alves,
Senadora Benedita, Paulinho da Viola,
Joaquim Nabuco, Zumbi dos Palmares...

Nuances na velha e atual historia...
Seres idôneos, espetaculares...
Asa morena, rara joia...

domingo, 29 de abril de 2012

Manifestação de respeito aos idosos

Coroa, idoso, ancião...
O prêmio da longevidade...
O ápice da jovialidade...
As gerações em evolução...

Ó Pai, põe piedade no coração...
Olhamos com desdem a maturidade,
não damos crédito à terceira idade,
sua capacidade, sua emoção...

Pudéramos nós todos lá:
cabeça alvinha, gesto meticuloso...
pintando na tela o sabiá

Respeitar o destino caprichoso...
Confiar no tempo, que se desdobrará...
Fazendo da uva, vinho precioso...

Epígrafe

Colhemos o que plantamos


A semente germina
sem tempo para desenganos

Louco e heroi

O que quebra o egoísmo
O que abusa das cores
O que crê, sem fanatismo
E molha, nas ruas, as flores...

(louco e heroi)

Remete-nos ao amor celestial
Alma em paz, contemplativa
Dá-nos o poema angelical
ou a culinária viva...

(louco e heroi)

Calcula logaritmos naturalmente
Salva a pele do rinoceronte
Respira com tórax, lentamente...

E mais inventa que copia
E menos pergunta que responde
Quem mais e mais se recria:

louco e heroi

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Miserias

Ao corpo que se prostitui
À mão que surrupia
Ao olhar que inveja:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de olhos esbugalhados

Ao que desiste e não luta
Ao que chora e não se ergue
Ao que fita o chão e não crê:
a nossa piedade
E ao jovem drogado que vende sua alma

À menina-bomba
À menina que não vai a escola
À menina que vende amendoim:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de trapos mulambentos

Ao deficiente humilhado
Ao velho esquecido
Às flores murchas sem perfume:
a nossa piedade
E ao jovem drogado não comtemplado co' amor



Pseudo soneto para o amigo

Essas coisas que dinheiro não compra:
confiança, compreensão, paciência...
Misterios que não desvenda a ciência:
acalma-nos a árvore com sua simples sombra...

Um elefante, e sua articulada tromba
A perfeição dos seres, nessa imperfeita quizomba
Sustenta de alegria, dê-se ciência,
o amigo, a amiga, presente da Onisciência...

Chuva aliviadora, após tórrido sol
Providencial sol, após água arrasadora
Chuva de prata, o amigo, sol que doura...

Consolo que abraça, depois de cada dor...
Dia que resplandesce, para revelar o amor...
Essência da vida, do poema. Ou da flor 

A bisavó

Lá vem a bisa, com seus pontos de cruz...
Tercinho na mão, beijo em ponto de bala...
Aroma lavanda, que só uma avó exala...
Feminilidade natural que a todos seduz...

Amor é o tempero do saboroso cuscuz
Tão bom sentar com ela no sofá da sala,
ouvir incríveis estorias da sua doce fala...
Tão raros sentimentos sua geração traduz...

Inspiradora da paz na família...
Sua casa cheia, seu coração, enorme...
Pouco letrada, mas que sabedoria...
                                       (nos humilha)

Surpreende-nos essa mulher: conforme
passa o tempo, mais durável sua pilha...
Café prontinho -enquanto você dorme...

Poema do nariz

Nariz, irmão rico dos cinco sentidos...
pressente o fogo medonho,
se deleita com feronômios,
antecipa o sabor da comida...

Instrumento de carícias,
mergulha no cabelo amado...

Nariz imponente ou delicado...
se delicia com cheiro de chuva

Nariz novo, potente...
faro de labrador

Nariz velho, surrado...
nem sente bebê borrado

Ausente nos versos,
injustiçado pelos poetas...

Nariz, maravilha da criação divina!

Hospitaleiro, o nariz...
as portas sempre abertas
Os pelos, porteiros alertas

Feche seu nariz...e morra
Feche os olhos, os ouvidos...e nada

Nariz de político corrupto,
nariz de Pinóquio -dois metros

Nariz esculpido por Pitangui,
nariz viciado em perfume francês

Nariz largo, grosseiro
Beleza brasileira

Nossa gratidão ao nariz...
por nos oferecer bons momentos,
por captar sensações reais,
por absorver gás vitalício...

Nossa ternura a esse
apreciador de odores:
das mães,
das rosas,
do café,
da vida...


domingo, 22 de abril de 2012

Feliz Natal em Abril!

Antecipar o Natal...

para que a esperança nasça com o inocente menino

para que o amor nos impeça de nos exterminar

para que as feridas se curem no perdão

(antecipar o Natal)

para que as mãos se abram e ofereçam o pão

para que luzes e canções nos maravilhem

para que a humildade no presépio nos enterneça

e para nos aninharmos no colo de Maria

e para nos surpreendermos
com os resquícios de bondade humana

e para iluminar de alegria a vida,

antecipar o Natal!

Caindo na malha fina

Amar não escolhemos
O amor
é que nos escolhe
e nos acolhe
em suas teias tecidas de
 flautas, frutos e flores
e borboletas de todas as cores
O amor
essa tela tecelada de dramas
-dóceis e dourados dramas...
Amar não escolhemos
As aranhas
quem, em suas bem traçadas tramas,
escolhem

Singelo poema do amor romântico

Amar é louco
Não amar é 'inda mais louco

Amar é abandonar a si
para encontrar o outro

É tirar o chão dos pés
perder o cérebro
e ficar só com o coração

É desvendar, com a emoção,
o que está alem da razão

No amor
o nobre e o pobre
o velho e o moço
homem e mulher
somos todos iguais:
somos todos irracionais

Do amor vem o bom humor

Do amor vem o sorriso
e o abalo do juízo

O amor nos deixa sorridente
sem motivo aparente

Do amor
vem a empolgação da gente!

domingo, 15 de abril de 2012

Sobre a realidade nua e crua de quem -como eu- não nasceu virado para a lua


Dá-nos a vida
todas as feras
em todas as esferas


Dá-nos a vida
todas as guerras
em batalhas etéreas


Nós somos luta e labuta
entrelaçados
lutalabuta


Somos erros e acertos
intercalados
acertos e erros


Somos a sociedade degradada
descrita no poema
que te desagrada


Somos a realidade das ruas, dos jornais
Somos o todo que se divide
em partes desiguais
 
 

Somos espadas e espinhos
Um exército de muitos soldados
mas temos que lutar sozinhos


Somos dores e amores
feridas e flores
entremeados num mosaico de cores


Somos parte desse show, dessa lida
e mesmo a asa ferida
a nave abatida
e a nave cambalida,
NINGUÉM DEVE DIZER BASTA À VIDA!

Do Coríntios

Caiu a máscara,
chegou o amor!
O amor que tudo sonha
e tudo voa
O amor
que revela a beleza do outro
Amor:
encontro do que se procura
Luz norteadora de caminhos,
cantiga serenadora de almas
O mais sublime de nós
vem do amor
Criador e criação
vem do amor
A plenitude perfeita
vem do amor
Esse amor que sustenta a humanidade
de eternidade em eternidade...
Amor da solicitude viva,
amor indescritível
em vãs palavras vagas
Do amor se teme apenas
o tempo que se mostra
na breve maçã
na folhagem amarela
na sombra crescente da fluída manhã
(Do amor se teme doidamente  amort...)
Amor que tudo salva
tudo espera
tudo suporta
tudo crê 
tudo, tudo.

Apesar.

sábado, 14 de abril de 2012

As escolhas

Levar a vida
ou deixar a vida levar?

Mudar o mundo
ou passar pelo mundo?

Viver na bondade e serenidade
ou na vaidade e severidade?

Leveza ou avareza?
Mansidão ou escravidão?
Benevolência ou violência?
Paz ou caos?

Se não amares teu irmão, amarias quem?
Se não amar a ti mesmo, o amaria quem?
Se não amares agora, amarás no alem?

Do amor e do tempo. Agarradinhos

Quebrar os relógios
quebrantar o tempo
O tempo
suspenso
O instante
surpreso
A saudade
em fuga
A presença
em fogo
ardendo
Ardendo
essa chama
que nos chama
-o amor

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O amor. De novo e sempre


A felicidade

na boa companhia vem

Na partilha do pão

vem também

O bem estar é para quem

convive com o bem



Quem se doa ao amor

se delicia em esplendor...



 
O amor...

Que faz das pessoas a humanidade

Que faz da poesia a melodia

Que faz da bondade

a esperança da eternidade

Que faz da saudade e da nostalgia,

vibrações de alegria



 
O amor, o que faz sentido

nessa seara, nesse saara,

nesse navegar, nesse pelejar





Filhos, pais,  paz,

amigos,

velhos vizinhos queridos,

colegas, cônjuges,

parceiros sem parcimônia,

Deus criador, Jesus redentor...

Ó almas, fruamos das fontes frondosas,

fulgurantes, infindas do amor...




do doce amor...

Regozijai, ó fígado!

Ó coração, regozijai!

No amor desatador de dor,

nesse fogo, nesse fulgor

-antônimo de tiro, tráfico, tragédia

e terror